
UM PEIXE A MAIS
Celebrados pela União
Européia como "beneficiadores tanto para a União Européia
como para seus sócios", os acordos pesqueiros - cujo valor para
os países em desenvolvimento excede em mais de dez vezes aquilo que
receberam em ajudas internacionais - começam a ter uma divulgação
desfavorável na imprensa. Um informe do Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente concorda com o que afirmam pesquisadores e organizações
de trabalhadores há algum tempo: "Os países em desenvolvimento
que abrem suas águas às frotas internacionais podem perder muito
mais do que ganham". O custo em longo prazo inclui a perda de renda inclusive
dos pescadores locais, danos ao meio ambiente e o esgotamento das espécies
nativas de peixes. Recentemente, o Senegal negou o pedido da União
Européia para a anuência de suas águas. Soma-se a isso
o fato de os negociadores europeus buscarem uma prorrogação
do acordo firmado em 1997. Por quê agora? Sobretudo quando a Espanha
(o país com a maior frota pesqueira do mundo) detém a presidência
da União Européia. Será que vão insistir na expansão
da agenda da indústria pesqueira? Do Senegal à Bruxelas, "Um
peixe a mais" explora as tensões relativas à busca do cumprimento
das ofertas sem no entanto destruir as demandas.