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RESGATE DA SABEDORIA INCA
A agricultura minifundiária constitui uma das fontes mais importantes de lucro e de emprego para cerca de 30% das famílias do Peru, que em sua maioria são pobres. Esta é a razão pela qual a Vale da Vilcanota levou adiante um projeto que busca recuperar as antigas técnicas de engenharia hidráulica inca, a fim de combiná-las com os novos conhecimentos que foram desenvolvidos a respeito do tema. A intenção é melhorar o manejo da água por parte das comunidades desta região em relação aos seus sistemas de irrigação e produção de comida orgânica.
Dessa forma, entre 1992 e 1995 completou-se o desenvolvimento de uma metodologia para capacitar as organizações de usuários, os líderes de irrigação e os kamayoqs (agricultores instrutores). Além disso, foram intensificados os sistemas de irrigação em seis comunidades rurais do Vale do Vilcanota. Um exemplo disso é a comunidade de Canchis, próxima da cidade de Cuzco, dentro da província de Sicuani, onde a empresa ITDG estabeleceu um projeto de manejo e conservação de biodiversidade, assim como um sistema de abastecimento de água em uma escola, o qual beneficia aproximadamente mil e quinhentos agricultores que vivem naquela área.
Cabe mencionar que na época dos incas, os chefes ou líderes eram conhecidos pelo nome de kamayoq. Atualmente existe uma escola com esse nome, cuja intenção é trazer à vida das comunidades o valor e o sentido das tradições locais e transformar essas em versões modernas de kamayoqs orientados à geração de renda. Tal escola tem um profundo respeito pelo conhecimento e pela cultura das comunidades camponesas e sabe que é necessário empregar este conhecimento, combinando-o com o método científico, a fim de se obter maiores benefícios sociais.
Retomando as ações
deste projeto, em 1995 foi dado início a um programa de investimentos
em 15 comunidades rurais, onde foram incluídas obras de irrigação,
armazenamento, manejo de sementes, proteção do solo e hortas
familiares. Em 1997, foi gerada uma linha de trabalho com o objetivo de
fortalecer redes de informação local e experimentar novas
tecnologias manejadas por agricultores. Com esses avanços, as pessoas
tiveram seu nível de vida melhorado por meio de técnicas como
a do micro-orvalho, que permite a irrigação evitando a erosão,
ou mesmo a técnica de preparação de remédios
naturais para o gado, com o qual se obtém uma engorda mais rápida,
um estado mais saudável e inclusive uma maior produção
de leite. Esse projeto permitiu que as comunidades apoiassem seus conhecimentos
numa assessoria técnica para também disseminá-los em
outras vilas vizinhas.
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